Entenda o peso da bagagem que você pode levar no voo

06.01.2011

Ancoradas em determinação da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), as companhias aéreas vendem no Brasil bilhetes internacionais que, em classe econômica, incluem franquia de duas malas de até 32 kg. Mas quem muda de continente e/ou de empresa e não emite todos os trechos da passagem no país deve ver sua franquia de bagagem cair, durante a viagem, para uma só mala de 23 kg.

O resultado é transtorno e prejuízo para o passageiro, que precisa se inteirar previamente dos limites em toda a viagem –e de quanto irá pagar nos casos de excesso. Apesar da má-nova –as malas encolheram no resto do mundo!– todo viajante, habitué ou não, já se deparou com o dilema de ter de arrumar a bagagem garantindo espaço para as compras. E isso, sem lembrar que as diversas empresas aéreas têm as suas restrições de bagagem. Não basta organizar bem as roupas, os calçados e as compras. É preciso quantificar quanto um excesso de peso pode doer no bolso. Há casos em que o prejuízo é equivalente ao valor do bilhete aéreo-ou até mais.

Passando do limite

A advogada Andréa de Mello, 41, sempre quis conhecer Madri. Ganhou uma bolsa para fazer doutorado em Portugal, em setembro de 2009, e não hesitou: adquiriu bilhetes pela internet e decidiu embarcar mais cedo para realizar o sonho. No aeroporto de Lisboa, antes de seguir para a capital espanhola, veio a surpresa desagradável: o peso da mala ultrapassava o limite permitido da companhia aérea. Com uma bagagem de 32 kg, a advogada descobriu que a empresa irlandesa de baixo custo Ryanair estabelecia em15 kg o peso máximo a ser despachado. Pensando na semana que passaria em Madri, ela quis saber quanto custaria o excesso de bagagem e foi informada por um funcionário que a conta ficaria em 95 euros (cerca de R$ 213).

“Não tinha ideia das regras, mesmo já tendo ido outras vezes para a Europa”, diz. “Pensei em pagar, mas resolvi deixar algumas coisas num guarda-volumes e viajei com uma mochilinha”, conta Andréa, explicando o sufoco de passar muito tempo com um guarda-roupa limitado.

Mas não é só o peso máximo liberado por empresas de baixo custo que aflige o cliente. Mesmo com os limites mais elásticos aceitos pela norma brasileira, muitos se deparam com regras que desconheciam ou que não checaram ao comprar o bilhete.

Para evitar surpresas entre um trecho e outro de sua viagem aérea, não compre as passagens separadamente. Numa situação hipotética, dá para ter ideia do tamanho do prejuízo caso o viajante opte pela compra separada.

Imagine que o turista esteja planejando voar em classe econômica do Brasil para os EUA com duas malas de 32 kg (o peso e o número de malas permitido para quem viaja a partir do Brasil, com bilhetes comprados no próprio país). Suponha que ele decida ficar alguns dias em Orlando e seguir até Nova York antes de ir para a Europa voando com Delta, uma empresa norte-americana, com bilhetes comprados separadamente. No primeiro voo de Orlando para Nova York, ele pagaria US$ 175 (cerca de R$ 307,5) de excesso de peso em cada mala. Na viagem para a Europa, ele desembolsaria US$ 120 (R$ 211) pelo excesso da primeira e US$ 200 (R$ 351,5) pela peça extra. O preço de carregar as duas peças em todo o trajeto seria de US$ 670 (R$ 1.177). Se o viajante optasse pela American Airlines, que está entre as empresas aéreas que cobram taxa por mala despachada em voos internos nos EUA, teria ainda de desembolsar US$ 25 (R$ 44) pela primeira mala e US$ 35 (R$ 61,5) pela segunda. Mesmo o turista experiente é surpreendido ao mudar de companhia.

O empresário Sérgio Camilo, 46, ia aos EUA pela TAM. Como cliente do cartão de fidelidade da empresa brasileira, ele tinha direito a despachar três malas. Em maio, ele decidiu ir com a American Airlines. “Nos EUA, aproveitei para comprar peças de decoração. Para trazê-las, comprei mais uma mala”, conta. “No balcão, soube que a companhia americana só permitia o embarque de duas malas de 32 kg cada uma. Tive de pagar o excesso da terceira mala, de peça e de peso, pagando US$ 100 (R$ 176) em cada”, diz.

Para voos iniciados fora do Brasil, a regra das duas malas de 32 kg, à qual o brasileiro está habituado, não se aplica. Empresas como a espanhola Iberia e a brasileira TAM avisam em seus sites que, de lá para cá, o passageiro na classe econômica só tem direito a duas malas de 23 kg cada uma.

Quase domésticos

Em outubro de 2007 a gerente de vendas Renata Amável, 36, embarcou para a Europa com passagens compradas pelas internet. O trajeto era Madri-Amsterdã-Brasil. Ela foi e voltou pela companhia aérea KLM, mas no meio do caminho havia uma empresa de baixo custo.

“Fui para a Europa sabendo da regra das duas malas de até 32 kg. Em Madri, comprei muita coisa”. A gerente de vendas, que havia desembolsado 70 euros (R$ 157) pela passagem aérea, acabou tendo que desembolsar mais 120 euros (R$ 269) de excesso de bagagem ao embarcar rumo a Amsterdã.

Para complicar esse emaranhado de regras, nos voos para a América do Sul o peso também varia conforme a companhia aérea. A maioria permite que o passageiro leve só entre 20 kg e 23 kg.

Em 1996 foi assinado o protocolo de Fortaleza, que fez com que os países do Mercosul entrem em processo de integração aérea regional. Por isso, as empresas que voam entre o Brasil e os países vizinhos permitem que o viajante leve a partir de 20 kg de bagagem.

Regras sobre peso de bagagem e outras dicas de viagem

A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) diz que para viagens com saída e chegada no Brasil uma mala pode ter no máximo 32 quilos e 158 cm (somando altura, comprimento e largura). As bagagens de mão não devem exceder 115 cm, tendo ainda que caber no compartimento de bagagem ou sob a poltrona.

No caso de viagens para a América do Sul, a regra garante pelo menos 20 quilos por passageiro viajando a classe econômica. Mesmo assim, na hora da compra do bilhete é necessário checar se o voo está sujeito a essas regras, pois as companhias aéreas podem acrescentar tarifas dependendo da rota.

Quando for escolher a sua mala, preste atenção nas especificações do produto, que devem ser usadas como comparativo para o perfil de cada viajante. O turista também não pode se esquecer de checar o peso da mala vazia, que somará alguns quilos na hora de pesagem no balcão do aeroporto. Atenção: escolher uma mala muito pesada pode impedir aqueles quilos a mais de recordação.

Segundo a Anac, o passageiro deve procurar primeiramente a companhia aérea para resolver qualquer problema relacionado à bagagem. Caso a empresa não ajude, o passageiro pode fazer sua reclamação pelo telefone 0800-7254445 ou pelo site.

Fonte: Folha Online – Turismo (André Zara)